quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Escombros








Não estavam preparados pra perder
mas o concreto derretia em chamas
a juventude ainda arde com alarde
mas a vida programada foi castrada
e já não há mais nada por fazer.

Foram tantos sonhos misturados aos escombros
tantas promessas sem um tempo a cumprir 
interrompidos sem aviso, muitos futuros,
não tiveram chance de acontecer.

Múltiplas cores de ideias e valores
mas a ganância lhes pintou de cinza
a distância entre o certo e o errado
já não é só apontar um lado
e sim cobrar à dor, eternizar.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Secreta Liberdade

Ele estava encostado em um poste naquela noite fria, tendo como única companhia a fumaça de seu cigarro que se confundia com o vapor condensado de sua respiração. Seu chapéu lhe cobria o rosto conforme baixava a cabeça para olhar em seu relógio de pulso as horas que não lhe importavam. Ao fundo podia ouvir Billie Holiday cantar para a Lua Azul, dizendo que ela a havia visto sozinha, sem nenhum sonho em seu coração e sem nenhum amor; Sentia-se como ela naquele instante, um solitário amargurado. Porém, mesmo sem nenhum sonho, ele carregava consigo lembranças que pareciam ser de uma outra vida: Lembrava-se de que havia sido casado durante sete anos e que estivera apaixonado durante todo o tempo. Lembrava-se das juras que trocou, das promessas que ostentou e que não pode cumprir. Lembrava-se de que em um lugar tão familiar, sua casa, em um dia que se apresentava tão comum, em uma fracção de segundos, tudo fora modificado. Toda sua vida passava em sua mente naquele instante, ali encostado naquele poste; Lembrava-se dos quatro estampidos que provocou, dois para cada um, amante e esposa, lembrava-se então, dos oito anos que cumprira em uma instituição penitenciária, e dava-se conta, naquele momento, que sua Lua nunca mais tornara-se Dourada. Jack não sabia como recomeçar.
Saindo de seu transe, Jack percebeu que à sua direita, descendo a rua, aproximava-se uma mulher aos prantos, as mãos repousadas ao rosto, passos lentos. Pode notar que por trás de seu vestido justo até os quadris, moldava-se um belo corpo feminino, e que pelo jeito de andar e vestir, não se tratava de uma dama da noite em busca de sustento através do comércio de seu corpo. Já a alguns passos de distância, de onde sua voz se fez ouvida, perguntou a ela se precisava de algum tipo de ajuda. Retirando suas mãos da face e analisando a figura masculina que a interpelava, apresentou-se a Jack como Anne, dizendo que dificilmente ele poderia ajudá-la, mas que precisava naquele instante desabafar e ainda, debaixo daquele mesmo poste, começou a lhe contar sua história. Falou que era casada havia quinze anos, tinha dois filhos, um casal, uma menina de nove e um rapaz de quatorze anos. Que seu marido um homem bem sucedido, até dois anos atrás um ótimo pai e bom companheiro, havia-se transformado em um alcoolista, sem mais nenhum interesse pelo emprego e que chegava em casa bêbado e agressivo quase todas as noites, como a de hoje, em que a tinha agredido. Foi nesse momento que Jack pode perceber que a boca de Anne sangrava, como não carregava nenhum lenço, passou a  manga de seu casaco nos lindos lábios da mulher, que candidamente, se deixou ajudar. Convidou-a então a caminhar, e saíram lado a lado, conversando sobre suas vidas.
Conforme a noite avançava, mais fria ia ficando… Jack retirou então seu casaco, colocando-o sobre os ombros de Anne, e como se sentindo protegida ela se encolheu em uma aceitação agradecida, depois colocando seu braço ao redor de seu pescoço, Jack a puxou com delicadeza para junto de seu corpo e continuaram o caminho indefinido, já sem muitas palavras, mas com pequenos toques de carícias. Ele se sentia tão excitado quanto a muito tempo não se sentira, percebia que a cada passo essa sensação ia lhe aumentando, tomando conta de cada um de seus músculos, sentia calafrios ao sentir aquele corpo ao seu lado, e claro que Anne também se sentia um pouco assim, mas não transparecia, apenas se deixava levar. Chegaram então a uma rua pouco iluminada, foram diminuindo o passo até que Jack parou diante da porta de um edifício, um prédio antigo, mal conservado, porém com a imponência de que em algum momento na história havia sido um lugar bem frequentado. Ele morava ali, convidou-lhe a entrar, o que a deixou relutante em um primeiro momento, mas logo aceitou, o frio era intenso e desejava mesmo sair do raio de visão de alguém que a pudesse reconhecer.
Subiram as escadarias até o último andar onde ficava o apartamento de Jack que dava de frente pra rua, ela notou que havia poucos móveis, mas que estava muito limpo e com o pouco que tinha muito organizado. Ele retirou o casaco de seus ombros e sem mais nenhuma palavra a puxou para si, beijando-lhe os lábios com ternura. Ela não se sentiu perplexa ou assustada, pois já esperava por isso, e então se entregou aquele beijo, deixando-o se tornar a cada segundo mais intenso. Sentia as mãos daquele homem percorrer lentamente seu corpo, mas com uma força balanceada que a fazia desejar mais e mais… Começaram a despir-se um ao outro, agora em uma luta febril contra suas vestes, já não era mais qualquer sensação, agora era o tesão que lhes atormentava o espirito, e precisavam  imediatamente aniquilar com aquele inimigo invisível.
Correram nus em direção a cama, com Jack puxando Anne pela mão, então ele a empurrou com delicadeza, deitando-se sobre ela, começou a lhe beijar o pescoço; Lentamente foi descendo sua boca pelo corpo macio daquela bela mulher, parou em seus seios, deixando que sua língua explorasse lentamente seus mamilos eretos, lembrava-se por vezes de sua ex-esposa, e fazia comparativos inevitáveis em sua mente confusa. Ela sentindo aquela língua em seu corpo, gemia em explosões de sensações que há tanto tempo já não sentia, não era vingança o que procurava, era se sentir desejada, era perceber que ainda poderia seguir uma vida com prazeres, era notar que ainda haviam vulcões dentro de si, e sim, eles estavam agora em plena erupção. Quando a língua de Jack encostou lentamente e úmida em seu clitóris Anne contorceu-se na cama, soltou um grito de desejo que se traduzia em felicidade plena, então Jack com mais voracidade começou a lamber-lhe o local, com fricções mais rápidas entre beijos e leves chupadas em sua vulva.
Ela não acreditava que poderiam existir tantos adjetivos fantásticos para pensar naquele momento e tudo foi crescendo em si como se o próprio céu estivesse se abrindo. Sentia que algo, que também há muito tempo não sentia com um homem, estava se apresentando a ela, deixou então tomar conta de cada fio de seu corpo aquele orgasmo único, prolongado, mágico, secreto… Relaxou seu corpo por alguns segundos e notou que ainda estava viva, que era capaz de viver algo mais do que a sofrida vida que estivera vivendo, e como se em agradecimento sentou-se na cama e beijou Jack com carinho.
Retribuindo-lhe tudo o que ele a fizera sentir, transformou-se em uma puta logo após aquele momento, chupou aquele órgão masculino como se dele quisesse retirar a receita para a eternidade, e Jack que já não pensava mais no mundo exterior, também se deixou levar ao paraíso, aquele corpo feminino cavalgando sobre seu corpo, a visão daquele belo rosto em um meio sorriso, por vezes mordiscando os lábios, implorando por só ser desejada. Ele já não vivia mais do passado que o atormentava, naquele momento. Ela já não chorava mais… E quando Jack começou a gemer mais alto, Anne retirou seu pênis de dentro dela, o colocou novamente em sua boca, e o chupou, sugou como se quisesse que ele a transmitisse os segredos que ainda não conhecia nesse mundo… E então ele gozou!!!! Ah, Ele Gozou!!!!!Deixaram seus corpos nús lado a lado na cama por algum tempo, sem palavras, sem frio, sem sofrimentos…
Então vestiram-se. Jack acompanhou Anne até a porta de seu edifício, notou que começava a amanhecer naquele instante, pensou que deveria se mudar daquela cidade  e começar uma nova vida. Despediu-se de Anne com um beijo em sua testa. Entrou e começou a arrumar suas poucas coisas para um recomeço. Lembrou-se da lua azul, notando que já poderia sonhar, que haviam mais pessoas como ele, que não estava só. A lua recomeçara a dourar. Acendeu um cigarro e dirigiu-se a janela, ainda a tempo de ver aquela mulher que parecia cantar e dançar, conforme se distanciava na rua.
Anne sentia naquela aurora uma nova realidade, decidira que não mais aceitaria, sem lutar, os tormentos que a vida lhe apresentasse. Iria abandonar a submissão, mesmo ciente dos problemas que enfrentaria, iria andar os seus passos. Dirigia-se lentamente então pela rua, cantarolando, com um sorriso no rosto, absorvendo os primeiros raios de sol.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Menina da Rua da Praia

Gravura de João Werner (Artista Plástico)
   Ela pairava pelas ruas de Porto Alegre. A cada passo um olhar corria em sua direção. Podiam sentir o seu cheiro de sexo, aqueles tolos, que como uma nuvem ia se espalhando conforme ela progredia nos paralelepípedos da Rua da Praia. O Calor era intenso naquele início de verão e ela sentia, agora, uma gota de suor escorrer por entre suas pernas, conforme ia deslizando através de seus pelos, um arrepio lhe subia o corpo, fazendo com que se tornasse quase impossível resistir a espera de um orgasmo. Ela sabia que ninguém à sua volta poderia lhe  proporcionar o prazer desejado. Olhava em todas as direções e apesar de ver pessoas belas, com corpos perfeitos, nem homens, nem mulheres a satisfariam por completo. Ela tinha uma atração ímpar por ela mesma, desejava com afinco seu próprio toque e então começou a massagear lentamente seu pescoço enquanto caminhava. Seus seios estavam agora como agulhas e quase podiam furar sua blusa cor de pele já transparente devido ao suor que a molhava, tornando-os, a cada segundo, mais visíveis a quem os admirasse. Foi quase cegando em seu anseio, que se encontrou, em um súbito olhar, à frente do Shopping na Praça da alfândega e em um impulso se deixou levar... Ao adentrar o local, por entre lojas e pessoas que se debatiam, foi logo procurando pelo banheiro. Entrou em uma cabine, onde ao canto havia uma cadeira com pernas douradas, e sentou-se relaxadamente deixando escorrer suas calcinhas por entre as pernas, mesmas pernas que conforme se abriam, iam deixando correr suas mãos trêmulas, lentamente coxas acima, espalhando seu suor, confundindo seus pensamentos, até tocar seu clitóris, em uma explosão de sentimentos. O tempo já não existia naquele momento, nada mais do mundo exterior importava naquela hora, ela estava em transe junto a si mesma e conforme friccionava seus dedos com mais e mais vontade, deixava sua língua escorrer em seu corpo por onde ela alcançasse. Por vezes puxava com uma das mãos seus seios até a boca. Contorcia-se na cadeira como que acreditando que ela mesma fosse mais de uma pessoa, e essas duas pessoas, nesse momento, lhe proporcionavam tudo aquilo que lhe era necessário. Começou então a sentir espasmos, era como se seus músculos estivessem todos independentes em seu corpo, mas ela não se incomodava com isso, ela queria mais, queria tudo, esperava o ápice. Seus gemidos podiam ser ouvidos por todo o recinto, mulheres já se amontoavam pra ouvi-la, mas ela estava alheia a tudo isso, ela tinha seu mundo, e nesse mundo existiam somente duas pessoas: Ela e Ela mesma. Então veio lentamente chegando a sensação tão esperada, a plenitude de tal situação, envolta em seu suor. Sentia de suas entranhas surgir a mais bela das emoções já vividas e então soltou um grito de prazer. Seus dentes cerrados, as unhas da mão esquerda cravadas em seu braço direito, o universo lhe pertencia, e era belo. Com a respiração ofegante se entregou ao momento por alguns instantes enquanto retomava seus sentidos. Logo após se recompôs, esfregou as palmas de suas mãos ao rosto e levantou-se como se tivesse retirado uma montanha de pedras de cima de si mesma. Ao abrir a porta, deparou-se com inúmeras mulheres tentando disfarçar o que haviam presenciado. Dirigiu-se até a pia, lavou o rosto e pescoço, arrumou sua bolsa a tira colo, abriu a porta, olhou pra trás, e dando de ombros partiu, sentindo-se realizada naquele instante.

domingo, 18 de março de 2012

Tentando te Decifrar

Letra musicada pela banda a qual faço parte. Com Lianderson Caldeira; Sergio Cunha & Johnny Lopes... Tentando te Decifrar - In ThE CeNTs...

domingo, 11 de março de 2012

Se Não...

Gastamos grande parte do tempo de Nossas Vidas tentando entender uma pequena parte dela que não tem entendimento, tampouco Solução.

Podemos pensar que o que realmente nos atrai são as questões mais complexas. Tentamos, então, agir como máquinas em busca de um sentido real para este tempo que estamos por aqui, e queremos respostas concretas, vamos atrás da totalidade e nos esquecemos de viver o que já está claro, o caminho já aberto, e que muitas vezes é o melhor rumo a se seguir. Tudo se embaralha neste momento, se transforma em uma bagunça generalizada, perdemos as rédeas do nosso tempo. O que era sólido aos poucos se transformando em pó. Desgaste natural na ordem natural das coisas, e na desordem, ficamos sem sustentação, pois não estamos acostumados a perder nada, muito menos deixar para trás o que não tem explicação. Queremos respostas, e a todo custo vamos atrás delas. Queremos porque somos orgulhosos. Queremos porque simplesmente não admitimos ter um NÃO. Costumamos achar que devemos procurar o sentido do NÃO. E, então, este NÃO se transforma em prioridade, uma burra prioridade orgulhosa a qual transformamos numa batalha em nosso Ego. Em vão.


Nossos sentidos parecem ruir. A parte mais difícil, de todo recomeço, é a articulação de como recomeçar. As lembranças do que nos fortalecia, do que nos impulsionava e que deixamos escapar, nos remetem à uma inevitável insegurança para traçarmos novas estratégias. Ficamos expostos, frágeis, pois agora, não mais saberemos de imediato, se o que vem em nossa direção é o impulso perdido, ou o NÃO em sedução. Corremos o risco de passarmos, assim, toda nossa Vida, em busca de certezas. Esquecendo que é no equilíbrio dos acontecimentos, nas incertezas do dia a dia, desfragmentando nossos atos, multiplicando as opções, dando ênfase ao que nos alicerça e atenção fracionada ao que nos subtrai, que estaremos contribuindo para que passemos por esta Vida, sem permitir que a Vida passe acelerada por nós.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Seu Templo


Sigo esperando que algo vá mudar
Por ter sido feito de alma e pecado
é tanto equilíbrio que nem tento parar
Não consigo analisar as coisas do meu jeito
tenho dúvidas demais,
distorcem meus pensamentos...

Não lembro mais das manhãs
acordo tarde demais
Esqueço o futuro,
abraçado no que ficou para trás...

Não sei porque fui entrar no seu templo
sigo preso em você
a todo e qualquer momento.

Não sei porque fui entrar no seu templo
Sigo preso a Você
a todo e qualquer movimento...

Rudi Caldeira

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Partícula

Quando a chuva parar de confundir minhas lágrimas
o que fazer com minha alma marcada ?
Quando minha alma recuperar o tom,
o que faço com a cicatriz deflagrada ?
Quando em sonho, teu corpo tocar em meu corpo
o que faço com minha alma acordada?
Quando a música tocar, aquele som me arranhar
o que faço então, com a noite arrasada?
Eu não queria ser só,
só queria ser parte, partícula de ti...
Gotículas tuas ainda nadam em mim
e não penso em te expelir agora...
Correto, concreto, decreto, não acato o coração;
Que grita, palpita, incita, por que quer você aqui.

                                                      Rudi Caldeira

Gatos no Telhado


               

  As noites seguem sendo noite,
 a vida pulsa no interior desta cidade    
 estou me prendendo a céu aberto, como gatos no telhado
  Não sei se por medo da solidão ou insegurança de andar    sozinho...
 Tenho convulsões dentro de mim.
 A alma grita: VIVE !!!!
 O tédio tem sido meu companheiro, e eu já deitei sobre o  comodismo
 Conhecemos somente esta vida...
 E, então, o que faço com esse gato preso no telhado, dentro de mim ?
 Me de mais uma bebida, bem forte por favor, pra decidir se me iludo mais um pouco
 ou se chuto o gato pra além das estrelas, perto do que se chama esperança
 onde se possa ouvir o sussurro da liberdade, sem sofrimento, sem mágoas, sem dor...



                                                                                      Rudi Caldeira     15/03/2006

Rumo ao Sol


                      
     
               

...E depois ainda pensava na existência,
mas podaram nossa liberdade
e castraram nossos sonhos.
Tola rebeldia (livre passagem a desordem)
que nos submete à longínqua cena de carências
adquirida em um túnel de mentiras.
Começamos a andar em círculos,
e então, nossos inúteis braços criaram asas,
e voamos, como pássaros,
em direção ao sol, até morrermos queimados.


                                                  Rudi Caldeira

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Contramão

Extraí traição dos teus braços
Abraços com polens de outras flores
Entre coitos falsos na escuridão
Embates nulos em emoção.

Ereto o sentimento certo: indiferença
Outra crença
Momentos fatais da perseverança
Música Sem dança

Uma esperança salta aos olhos 
de quem procura magia
Pura Melancolia.

Um cérebro virgem a cada penetração
Máscaras em processo de dilatação
E essa vida toda na contramão.

Rudi Caldeira